A Casa da Deise Maria

a sua Neuropsicanalista Clínica

Gravidez

23/04/2026 23:31
Falar de violência obstétrica já é doloroso, mas quando olhamos para a mulher negra, essa dor ganha outras camadas. Muitas mulheres negras atravessam a gestação e o parto sendo menos ouvidas, menos acolhidas e, muitas vezes, menos respeitadas. Queixas de dor são desconsideradas, decisões tomadas sem explicação, intervenções acontecem sem consentimento e tudo isso vai deixando marcas e existe algo muito profundo, muitas vezes não dito, a idéia de que a mulher negra “tudo suporta”. Ainda posso ouvir a frase "na hora de dar, não gritou". Isso não precisa ser falado diretamente, aparece no olhar que desacredita, na escuta que não acontece, na pressa em decidir por ela, na naturalização da sua dor. É como se, silenciosamente, a sociedade ainda colocasse essa mulher em um lugar de resistência obrigatória, mas não, ela não precisa suportar tudo. Essa idéia tem raízes históricas e culturais, que atravessam gerações e continuam influenciando a forma como esses corpos são vistos e tratados. Essas violências não são apenas individuais, são também estruturais, carregadas de significados que se repetem, muitas vezes sem serem questionados. Experiências de dor, medo e desamparo em momentos de grande vulnerabilidade, como o parto, podem se tornar traumáticas, impactando profundamente a vida emocional dessa mulher. O que deveria ser um momento de cuidado, muitas vezes se transforma em solidão, desrespeito e invisibilidade e isso precisa ser nomeado, porque a mulher negra não é forte por não sentir dor e sim por ter sobrevivido a muitas delas e ainda assim, isso não deveria ser exigido. Na análise, essas experiências podem encontrar um espaço de acolhimento, onde essa dor pode ser escutada, reconhecida e elaborada com respeito. Nenhuma mulher deveria ser silenciada, nem sua dor ignorada. Boa noite ???? ????? Deise Maria Neuropsicanalista Clínica