Leonardo da Vinci
O nascimento de Leonardo da Vinci, em 15 de abril de 1452, não marca apenas o surgimento de um gênio mas de um sujeito tomado por uma curiosidade intensa, quase inquietante e foi exatamente isso que chamou a atenção de Sigmund Freud.
Freud não escreveu sobre Leonardo por acaso, ele se questionou sobre o que leva alguém a transformar o desejo em conhecimento?
Na época, Freud já vinha desenvolvendo suas teorias sobre a sexualidade infantil e a sublimação. Ao observar a vida de Leonardo — um homem com poucos vínculos amorosos, profundamente dedicado à investigação, à arte e à ciência, encontrou um campo fértil para tentar entender quando a energia pulsional não encontra via no amor, ela pode ser desviada para o saber.
Foi assim que surgiu, em 1910, a obra “Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci”
Nesse texto, Freud analisa uma memória relatada por Leonardo, envolvendo um abutre em sua infância e a partir disso constrói uma leitura sobre a relação com a mãe,o enigma do desejo e o destino da pulsão na sublimação, ou seja, Freud não estava interessado apenas no artista e sim no sujeito por trás da obra.
Freud então ele nos deixa uma frase que atravessa “Da Vinci negou e transcendeu, pela arte, a infelicidade de sua vida erótica nas figuras que ele criou.", Uma lembrança de infância de Leonardo da Vinci (1910)
Talvez isso nos ajude a pensar
"será que, em algum ponto da vida, a gente também aprende a sentir menos e a pensar mais?"
A psicanálise não julga esse movimento, mas escuta o que ele tenta proteger.
Se esse texto te atravessou de alguma forma, talvez tenha algo aí que merece ser falado, elaborado, cuidado.
Deise Maria
Neuropsicanalista Clínica
