A Casa da Deise Maria

a sua Neuropsicanalista Clínica

O Feminino

15/05/2026 19:14
Olá, pessoal. Durante séculos, o sofrimento feminino não foi compreendido, foi punido. Mulheres que sentiam demais, questionavam demais, choravam demais ou não se encaixavam no que a sociedade esperava eram vistas como perigosas. Algumas foram chamadas de bruxas, outras trancadas em manicômios, muitas foram silenciadas, medicalizadas, humilhadas ou descartadas e havia um detalhe cruel nisso tudo: a mulher precisava cumprir um papel, servir, obedecer, gerar filhos, cuidar, suportar. As que não conseguiam engravidar, por exemplo, muitas vezes eram tratadas como inúteis, incompletas ou sem valor social. O sofrimento feminino foi transformado em defeito, em vez de perguntarem “o que essa mulher viveu?”, questionavam “como fazemos para controlar essa mulher?” Muitos sintomas femininos nasceram de vidas emocionalmente sufocadas. Mulheres que não podiam expressar raiva, desejo, tristeza, frustração ou dor acabavam adoecendo em silêncio. Sigmund Freud percebeu, ao escutar mulheres diagnosticadas como “histéricas”, que existia uma história por trás dos sintomas. Existia dores emocionais que nunca haviam sido reconhecidas como legítimas. Viver sob opressão constante, medo, invalidação e sobrecarga afeta profundamente o cérebro e o corpo. O sofrimento emocional não desaparece porque é silenciado — ele se transforma e existe algo ainda muito doloroso, até hoje, muitas mulheres rejeitam outras mulheres, falta empatia, acolhimento. Muitas vezes, existe julgamento, competição, crueldade silenciosa, mas isso também tem uma origem. Durante muito tempo, as mulheres foram ensinadas a disputar valor, atenção, reconhecimento e até sobrevivência. Foram ensinadas a se comparar, a rivalizar, a enxergar a outra como ameaça — porque, em uma sociedade desigual, muitas acreditaram que só haveria espaço para poucas. Então, sem perceber, algumas reproduzem a mesma dureza que um dia também as feriu. Mulheres machucadas podem acabar machucando outras mulheres. Isso não justifica, mas ajuda a compreender. Por trás da crítica excessiva, da rivalidade e da falta de empatia, muitas vezes existem inseguranças profundas, dores não elaboradas e uma necessidade desesperada de validação, por isso, romper esse ciclo também é um ato de consciência. Na análise, a mulher encontra um espaço onde sua dor não é ridicularizada nem reduzida a exagero. Um lugar onde ela pode existir sem precisar se encaixar em papéis que a adoecem — e onde também pode aprender a olhar para outras mulheres com menos disputa e mais humanidade, porque muitas mulheres não enlouqueceram por fragilidade, enlouqueceram tentando sobreviver em uma cultura que, por muito tempo, não permitiu que fossem humanas. Boa noite ???? ????? Deise Maria Neuropsicanalista Clínica