O Homem é Lobo do Próprio Homem
Tem uma frase forte que atravessa séculos e ainda nos inquieta - “O homem é o lobo do homem.” — Thomas Hobbes, Leviatã
Mas a psicanálise aprofunda ainda mais essa ideia - “A inclinação para a agressão constitui uma disposição original, autônoma, do ser humano.” — Sigmund Freud, O Mal-Estar na Civilização
Percebe? Freud não está falando só de um perigo que vem do outro, ele está nos mostrando que existe, dentro de cada um, uma força que pode ferir, atacar, romper e quando isso não é reconhecido? A pessoa projeta. Coloca no outro aquilo que não suporta em si. Passa a enxergar inimigos onde, muitas vezes, há conteúdos internos não elaborados. É por isso que, muitas vezes, o conflito não é só externo, é também intrapsíquico.
Diante de ameaças, nosso cérebro ativa circuitos primitivos de defesa — luta, fuga ou congelamento. Nesses momentos, reagimos mais pelo instinto do que pela reflexão e é aí que o “lobo” aparece, mas aqui tem algo muito importante, que é
reconhecer essa agressividade não é se condenar, é se responsabilizar, porque quando você começa a olhar para dentro, se permite escutar o que te atravessa, o que irrita, o que desorganiza, essa força deixa de agir no automático, mas ela pode ser simbolizada e elaborada, transformada.
No setting, não é sobre eliminar o “lobo” e sim dar lugar à palavra, para que aquilo que era ataque possa, pouco a pouco, virar consciência.
E você tem olhado para o que existe aí dentro ou ainda está apenas tentando se proteger do mundo lá fora?
Deise Maria
Neuropsicanalista Clínica
