TDAH e tela
Olá, pessoal.
O uso excessivo de telas tem se tornado algo cada vez mais comum mas pouca gente fala das consequências cognitivas e emocionais que isso pode trazer.
Nosso cérebro não foi feito para receber tantos estímulos rápidos, constantes e intensos ao mesmo tempo. Notificações, vídeos curtos, rolagem infinita, tudo isso ativa o sistema de recompensa de forma contínua, liberando dopamina e criando uma necessidade de estímulo imediato.
Com o tempo, isso pode afetar diretamente a atenção. A pessoa começa a ter dificuldade de se concentrar, de ler algo mais longo, de sustentar o foco em tarefas simples. A mente fica mais dispersa, mais inquieta, sempre buscando algo novo.
A memória também pode ser prejudicada. Quando tudo é rápido e superficial, o cérebro não aprofunda as informações. É como se consumisse muito mas retivesse pouco.
Ainda que o excesso de telas pode impactar o sono. A luz e o estímulo constante dificultam o relaxamento do cérebro, o que interfere na qualidade do descanso — e, consequentemente, no humor, na atenção e na regulação emocional. Em termos emocionais, o uso exagerado pode aumentar ansiedade, irritabilidade e até sensação de vazio. Isso acontece porque a comparação constante, o excesso de informação e a hiperestimulação deixam o cérebro em estado de alerta quase permanente. Em alguns casos, podem surgir ou se intensificar quadros como ansiedade, depressão, dependência digital e até sintomas semelhantes ao TDAH, especialmente em crianças e adolescentes.
Muitas vezes, o uso excessivo das telas não é só hábito — é uma forma de evitar o contato com o próprio mundo interno. Silenciar pensamentos, fugir de sentimentos, preencher um vazio, por isso, não se trata apenas de reduzir o tempo de tela, mas de compreender o que está sendo evitado quando a pessoa não consegue se desconectar.
A análise pode ajudar a olhar para isso com mais profundidade, favorecendo um uso mais consciente e uma reconexão com a própria vida emocional.
Boa noite???? ?????
Deise Maria
Neuropsicanalista Clínica
