A Casa da Deise Maria

a sua Neuropsicanalista Clínica

Trauma Obstétrico

14/03/2026 22:09
Olá, como você está? Pouco se fala sobre o trauma obstétrico, mas muitas mulheres carregam marcas emocionais profundas depois de uma gestação ou de um parto vivido com dor, medo, desrespeito ou solidão. O nascimento de um filho deveria ser um momento de acolhimento e cuidado, porém, quando a mulher se sente desamparada, desrespeitada em suas escolhas, ou passa por intervenções agressivas sem explicação ou consentimento, essa experiência pode deixar feridas emocionais importantes. Para muitas mães, o trauma obstétrico pode trazer sentimentos de tristeza, culpa, medo, frustração ou até uma sensação de ter sido invadida e desamparada justamente em um momento de grande vulnerabilidade. Algumas mulheres passam a reviver mentalmente o que aconteceu, tendo dificuldades de viver, outras têm problemas em falar sobre o parto ou em confiar novamente em profissionais de saúde. Experiências intensas de estresse e medo ativam profundamente os sistemas de defesa do cérebro. Quando isso acontece em um momento tão delicado como o parto, o corpo e a mente podem registrar essa vivência como traumática. Esse impacto emocional não atinge apenas a mãe, a relação inicial com o bebê pode ser afetada quando a mulher ainda está tentando elaborar o que viveu e não consegue entregar pra seu filho o acolhimento necessário. O bebê, por sua vez, é extremamente sensível ao estado emocional da mãe, pois os primeiros vínculos são construídos através da presença, do toque e da regulação emocional. A família também pode sentir os efeitos dessa experiência. Parceiros muitas vezes não sabem como ajudar e o ambiente que deveria estar marcado por alegria pode ficar atravessado por tensão, medo ou silêncio sobre o que aconteceu. Experiências não elaboradas tendem a permanecer atuando no psiquismo. Por isso, quando a mãe encontra um espaço de escuta, ela pode colocar em palavras aquilo que viveu, elaborar a dor e reconstruir emocionalmente essa experiência. Falar sobre o trauma obstétrico não é fragilidade. É cuidado com a saúde emocional da mãe, do bebê e de toda a família. Mãe, se você enfrenta esse conflito, saiba que você não está sozinha, faça análise, cuide-se! Boa noite ????????? Deise Maria Neuropsicanalista Clínica